Não resisti. Com
um pouco de coragem, aproximei-me devagarzinho da sua toca. Queria
saber por que a coruja atacava todas as pessoas que ali transitavam com
seus cãezinhos. Foi então que os vi - tão pequeninos! Então era isso!
Para ela, os cães que por ali passavam representavam uma ameaça. No
mesmo instante ouvi um grito estridente. Era a coruja em seu voo
silencioso e rasante que vinha em minha direção. Gelei! Foi então que
lembrei que estava invadindo o habitat de uma mãe coruja! E mãe coruja,
sabe como é!
Como
nós somos tão parecidas com as corujas quando nos tornamos mães, não é
mesmo? Como elas, ficamos com os olhos ligados em nossos filhos o tempo
todo. Normalmente observamos todos os seus movimentos, com nossa “visão
de raio X”, sempre atentas a qualquer sinal de perigo e pronta para
voar a qualquer momento, se necessário, para protegê-los. Pena que
não tenhamos pescoço de coruja! Já pensou, 360 graus de rotação? Seria
mais fácil para observar os pequeninos, já que dificilmente nossos
filhos ficam quietos, sentadinhos em um lugar - eles normalmente “voam
baixo” em uma festa.
Somos
também parecidas com as corujas nas noites em que permanecemos
acordadas. Dificilmente desfrutamos de uma noite inteira de descanso.
Nas primeiras semanas de vida, por exemplo, é sempre necessário acordar
para alimentá-los e até mesmo para vigiá-los. Assim como as
corujas, temos ótima audição e percebemos qualquer barulhinho vindo do
berço.
Um
pouco mais crescidos, continuamos a acordar durante a noite, sempre
atentas aos seus movimentos, preocupadas se estão bem cobertos, se estão
com frio, ou calor, ou qualquer outra coisa. Já adultos, continuamos a
acordar durante a noite, não dormimos tranquilamente enquanto não
ouvimos o som da porta se abrindo e os passos no corredor. Até casados,
dependendo da situação, perdemos o sono preocupados com eles.
As corujas costumam deixar seus filhotes livres para voar quando eles
crescem. Já no nosso caso... bom, talvez seja esse um ponto em que nos
diferenciamos das corujas, já que nem sempre estamos preparadas para o
voo dos filhotes. Por isso acredito que não somos somente parecidas com a
mãe coruja! Nós é que lançamos a ideia: somos as verdadeiras “mães
corujas”
Nice Bacchini
A todas as mães, corujas ou não, feliz Dia das Mães. Em especial para
minha mãe que comemora também o seu aniversário 83º! Parabéns Mamãe! Parabéns Maria!
Crônica publicada, no dia 07/05/2012, no Jornal Regional Laranjeiras do Sul/PR





