A manhã estava fria. Estava meio febril. O corpo,
senhor da própria vontade, dava sinais inequívocos para que eu ficasse em casa.
Era quase uma ameaça (“- Se eu fosse você, ficava na cama!”). Mas eu não
queria deixar de participar daquele evento. Era a primeira vez que iria
participar de uma corrida de rua exclusiva para mulheres. Estava curiosa e
ansiosa, por isso não podia faltar. Tomei um comprimido, ignorei as ameaças do
corpo e fui para o evento.
Já no local da corrida, sem dores no corpo (santo analgésico!),
fiquei surpresa com a quantidade de mulheres inscritas, de várias
idades e gerações. Mas confesso que fiquei impressionada com os serviços
oferecidos pela organização do evento, como salão de beleza, massagem
corporal, yoga, spa relaxante, dentre
outros, antes e depois da prova, ou seja, poderíamos correr bonitas
relaxadas ou então curtir tudo isso depois da prova. Coisa de mulher. Mas até
que é uma ideia interessante!
A corrida foi alegre e divertida. Começou na largada, quando os corpos
balançavam ao ritmo da música que saía dos altos falantes. Todas
sorridentes com os mesmos movimentos corporais. À medida que íamos
ultrapassando a linha de largada, obviamente as duplas iam se formando, para
aproveitar a oportunidade para bater um papinho (durante a corrida!), saudável
e relaxante, e botar a conversa em dia (claro!). Impressionante a capacidade
que temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo. E que fôlego! Pois conversar e
correr ao mesmo tempo não é fácil! Mas no decorrer da vida existem vários
treinos para isso. Como mães, precisamos estar ligadas o tempo todo, atentas ao
que nossos filhos estão fazendo, principalmente quando trabalhamos fora de casa
- dificilmente conseguimos desligar do nosso lar. No trabalho, muitas das vezes
estamos fazendo nossas tarefas e tentando confortar uma amiga que está passando
por algum problema. No trânsito, dirigimos e nos maquiamos ao mesmo
tempo, aproveitando os sinais fechados para dar aquele retoque na
maquiagem, lixar as unhas e assim por diante, esquecendo que estamos
infringindo a lei. Outro dia vi uma mulher passando sombra nos olhos e
dirigindo! E o carro estava andando! É isso. Estamos sempre com várias
anteninhas ligadas.
Foi a primeira vez que participei de uma corrida de rua daquele tipo
e confesso que adorei. Tudo me encantou. Quase todas as mulheres
que completaram o percurso, seja de cinco ou de dez quilômetros,
cruzaram a linha de chegada, cansadas, suadas, mas felizes pelo cumprimento do
desafio. E não consigo deixar de pensar que, se hoje esse cenário é possível, temos
que agradecer àquelas mulheres que, no passado, lutaram e reivindicaram
melhores condições de vida e de trabalho para as mulheres, garantindo nosso
merecido espaço na sociedade.
Dedico essa crônica para todas as mulheres e especial a minha amiga e
fã, Cleusa Stephanes, desejando um feliz Dia
Internacional da Mulher










